Pinned toot

Vou começar a leitura de um livro muito importante, mas como fazer isso direito, vou ir lendo e comentando por aqui, na tentativa de fixar melhor os conteúdos lidos.

O livro se chama: "O abuso de poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério" do analista suíço Adolf Guggenbühl-Craig.

E já no prefácio encontramos a pérola: "Seu assunto central é o mal que o analista involuntariamente pode causar a seus pacientes quando se propõe a ajudá-los. Que ousadia!"

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Vou passar a usar este espaço pra minhas reflexões sobre autismo e Neurodiversidade.

Pra quem não sabe, eu sou autista. Sou também psicólogo e pesquisador. Sou professor e educador. Minha experiência é ampla sobre isso. E tenho me dedicado ao estudo da área desde 2014, pelo menos, quando comecei a pesquisar sobre o problema da Medicalização da Vida.

Sempre que eu tiver uma idéia ou reflexão a respeito do tema, postarei ppr aqui!

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Não só usamos uma definição, como também impomos tal normalidade sobre as demais pessoas e, com isso, eliminamos qualquer expressão de diversidade. Ou as pessoas se ajustam ou são ajustadas, mas não são permitidas viverem de forma diversa que as demais.

As coisas que uma simples frase nos faz pensar...

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Essa citação me faz pensar o quanto não só o serviço social mas também boa parte das nossas práticas sociais, como o jornalismo, a economia e a segurança pública, por exemplo, também seguem essa mesma filosofia. Não só é uma filosofia Iluminista, como também alimenta uma filosofia individualista, muito presente no pensamento liberal e neoliberal.

Outra coisa que me chama a atenção desse pensamento é o quanto precisamos de uma definição de "normal" para podermos conviver em sociedade.

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SERVIÇO SOCIAL E INQUISIÇÃO

Como o título sugere, o capítulo é sobre o serviço social. Os exemplos dados são da suíça de meados do século XX, mas muita coisa ainda serve hoje, como a seguinte citação:

"A atividade do assistente social se baseia numa filosofia oriunda do Iluminismo, a qual sustenta que as pessoas podem e devem ser racionais e socialmente adaptadas e que o objetivo da vida consiste num desenvolvimento até certo ponto 'normal' e feliz dentro dos limites do potencial da pessoa".

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Grupo 4 (Grupo de educação para autistas coordenado por profissionais): "ABA e RDI podem ajudar no desenvolvimento de habilidades de brincar mais apropriadas". "Eu usaria o interesse nos brinquedos para direcionar atenção mútua e comportamentos indesejáveis".

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Grupo 2 (Grupo de suporte para pais de crianças autistas coordenado por neurotípicos): "É tão triste que eles não sabem brincar". "Meu filho também faz isso, é tão frustrante". "É, meu filho também vive fazendo bagunça".

Grupo 3 (Grupo de suporte para pais de crianças autistas coordenado por autistas): "Wow, essa criança tem determinação". "Épico". "Amo a criatividade". "Tão lindo e artístico".

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COMO É PATOLOGIZAR O AUTISMO
Esta imagem de vários pequenos objetos e brinquedos coloridos alinhados em diferentes padrões no chão feita por uma criança de 10 anos de idade foi apresentada a quatro grupos diferentes. Foram recebidos mais de 380 comentários desses grupos. Este é um resumo das respostas.

Grupo 1 (Grupo de mães de crianças com desenvolvimento típico): "Lindo". "Belas cores". "Uma obra de arte". "Me lembra de um jardim zen 3d". "Que bela manifestação de paciência".

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Queremos curar os outros ao invés de nos curar a nós mesmos. O mal que queremos impedir ou eliminar no outro só é percebido como um mal do outro porque somos incapazes de percebermos esse problema em nós mesmos. É claro que aqui estou falando das questões subjetivas e não das objetivas - mas mesmo as objetivas só são "problemas a serem eliminados" por dificuldades subjetivas mesmo.

Acho que o livro começou bem! Vai seguir falando agora do Serviço Social no próximo capítulo.

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Um outro ponto importante da introdução é o tom que o autor coloca no livro: ele irá falar em primeira pessoa, a partir de experiências pessoais, fugindo de referências bibliográficas para fazer com que o leitor reflita mais do que leia mais. Essa é uma premissa da qual concordo 100%: o foco do nosso trabalho deve ser com a gente mesmo, não com técnicas especializadas. Muitas vezes usamos essas técnicas e especializações para nos livrarmos do nosso próprio mal: nós mesmos...

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Aqui vale uma observação interessante. Naquela época - década de 60/70, a psicoterapia era prática exclusiva de médicos e foi por conta de uma mudança de paradigma da prática médica, que abandonou em massa a clínica individual para se focar em práticas voltadas aos hospitais, que a psicoterapia passou a ser praticada também por quem as pesquisava, a psicologia. Então, nessas profissões de ajuda entra também os psicólogos.

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Introdução: Livrai-nos do mal.

É uma introdução bastante curta, mas bem direta. Ele define na primeira frase o que são as "profissões de ajuda": "A maioria das profissões, de uma forma ou de outra", presta um serviço à saúde e ao bem-estar da humanidade. Porém as atividades do médico, do padre, do professor e do assistente social envolvem um trabalho especializado e deliberado para ajudar os infelizes, os doentes, aqueles que de algum modo se perderam".

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Psicoterapia pode ser qquer coisa e nem sempre vai ser boa, nem o que a pessoa espera. O mesmo serve para as demais profissões de poder listadas no título do livro: a medicina, o serviço social, o sacerdócio e o magistério. Todas têm o poder de influenciar vidas de tal maneira que quase ninguém questiona o que está sendo feito. E muita coisa errada acontece quando não se observa as relações de poder estabelecidas aí.

Vamos ver o que diz o restante do livro!

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Esse é um tema que me assombra há muito tempo, principalmente cada vez que ouço as pessoas repetirem o mantra "Faça terapia". Sou psicoterapeuta e me pergunto, por que isso? Recebo sempre pessoas no meu consultório com histórias escabrosas de colegas que agiram mal com seus pacientes, leio todos os dias histórias semelhantes em comunidades virtuais. Não faz sentido a insistência nessa recomendação quando não se sabe o que se está recomendando.

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Vou começar a leitura de um livro muito importante, mas como fazer isso direito, vou ir lendo e comentando por aqui, na tentativa de fixar melhor os conteúdos lidos.

O livro se chama: "O abuso de poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério" do analista suíço Adolf Guggenbühl-Craig.

E já no prefácio encontramos a pérola: "Seu assunto central é o mal que o analista involuntariamente pode causar a seus pacientes quando se propõe a ajudá-los. Que ousadia!"

Meu Odin fez uma cirurgia pra retirar um tumor da perna, do lado do joelho. Deu tudo certo e já está em casa, usando o Cone da Vergonha. Mas está chovendo e ele fica bem mal com trovões. Quando é assim, ele fica bem mal, tentando controlar uma crise de pânico. A noite vai ser longa.

Inclusive, se tiverem dúvidas ou perguntas sobre autismo e neurodiversidade, terei todo o prazer em responder da melhor forma possível!

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Vou passar a usar este espaço pra minhas reflexões sobre autismo e Neurodiversidade.

Pra quem não sabe, eu sou autista. Sou também psicólogo e pesquisador. Sou professor e educador. Minha experiência é ampla sobre isso. E tenho me dedicado ao estudo da área desde 2014, pelo menos, quando comecei a pesquisar sobre o problema da Medicalização da Vida.

Sempre que eu tiver uma idéia ou reflexão a respeito do tema, postarei ppr aqui!

Outro dia estava lembrando do Paradoxo do Queijo Suíço, que é um queijo que, por conta de sua fermentação, vem com muitos buracos. Então podemos pensar o seguinte:
1. Buracos no queijo indicam menos queijo;
2. Quanto mais queijo, mais buracos encontramos;
3. Logo concluímos que, quanto mais queijo, menos queijo!

E daí que um vizinho resolveu ouvir música alta e tocou Duran Duran, só que não reconheci na hora. Fui buscar a música e agora não consigo mais parar de ouvir Duran Duran!

Boa tarde. Pratiquem a desobediência e mandem a cloroquina pra casa do caralho.

Ursa tá nervosa.

Vou iniciar um projeto novo com a @ginicolau . O nome ainda está em discussão, mas já temos uma imagem representativa. Queria ouvir opiniões sobre as impressões que essa imagem passa...
Obrigado!

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